Mercado

  • 12/09/2017

Foco em eficiência e tecnologia

A visão de que o mercado de peças automotivas se tornaria cada vez mais forte no país, fez com que em 1983, Carlos Sérgio Zen, 66 anos, deixasse sua função na Irmãos Zen, hoje Zen SA, e investisse em sua própria empresa: a ZM.

A empresa iniciou pequena, fabricando apenas relés de partida e hoje conta com uma extensa linha de autopeças e se consolida ano após ano como a empresa do ramo automotivo com o maior lucro líquido do Sul do país.

A Zen fabricava o impulsor de motor de partida e vendia muito bem na reposição, porque só existia mais uma marca no Brasil e que era fabricante do original. Meu pai, então, viu a oportunidade de entrar neste segmento, mas fabricando outro tipo de peça, conta Alexandre Zen, 42 anos, diretor superintendente da ZM.

Na época, a ZM entrou no mercado como concorrente, já que existia uma outra empresa brasileira fabricando o relés de partida, mas aos poucos, foi conquistando seu espaço.

Alexandre destaca que nos anos 80, sempre cabia mais alguém no mercado, já que o acesso à informação era bastante limitado. “As pessoas compravam o que ofereciam, por isso, ele conseguiu alguns representantes e assim, foi fazendo o nome da ZM”, diz.

A empresa brusquense foi se firmando no mercado de reposição nacional e, com isso, abriu caminho para o desenvolvimento de novos produtos. Hoje, a empresa fabrica, além dos relés de partida – peça pela qual é conhecida mundialmente -, motores de partida, alternadores, polias para alternadores, parafusos e porcas de roda, cruzetas, bomba d’água, implementos rodoviários e fixadores.

Alexandre afirma que a diversidade de produtos fabricados na ZM é um dos fatores que contribui para a sustentabilidade da empresa. “Um produto único no ramo automotivo é um risco muito grande”.

Ele observa que o produto automotivo, além de sofrer as oscilações do mercado, sente muito a mudança dos próprios veículos, por isso, é importante ter variedade. “É uma certeza que daqui a 30 anos, 30% dos carros vendidos serão elétricos, por exemplo. É preciso diversificar dentro da indústria”.


Expansão do mercado além das fronteiras

Com o passar dos anos e já reconhecida nacionalmente, a ZM passou a exportar seus produtos para outros países. Inicialmente, Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile. Mais tarde, conseguiu entrar no mercado de reposição dos Estados Unidos e hoje vende para 35 países. “Estamos em todos os continentes vendendo o relés de partida, a primeira peça desenvolvida na empresa”.

Em 2003, mesmo ano em que Alexandre assumiu como diretor comercial e industrial da ZM, a empresa decidiu investir em um parque fabril na China. Como a cultura do país oriental é bastante diferente da brasileira, levou algum tempo até que a unidade da ZM na Ásia decolasse.

Levou pelo menos sete anos, depois de 2003, para que conseguíssemos que nossa engrenagem lá girasse direitinho.

Hoje, a ZM está localizada na cidade de Jiaxing, distante cerca de 90 quilômetros de Xangai, maior município chinês. A fábrica possui 95 colaboradores e é gerida por um executivo brasileiro.

Lá, são produzidos, por mês, em torno de 65 mil relés de partida. Já em Brusque, a produção é bem maior, uma média de 220 mil peças por mês. Por ano, as duas unidades, juntas, produzem em torno de 4,2 milhões dessas peças.

Implementamos várias culturas que seguimos em Brusque, por isso, conseguimos manter o padrão de qualidade. O produto fabricado no Brasil e na China é exatamente o mesmo.


Investimento em automação é um diferencial

A ZM conta com cerca de 700 colaboradores, 600 em Brusque e em torno de 100 na unidade chinesa. Alexandre ressalta que não só a ZM, mas muitas empresas do ramo automotivo não pensam, neste momento, em aumentar o número de funcionários, mas sim, no investimento em automação.

Concorremos com várias empresas estrangeiras, muitas empresas chinesas, indianas, que se destacam pelo nível de eficiência que eles têm. O custo da mão de obra é bem mais barato, os impostos por trás do salário são mínimos e, por isso, se tornam mais competitivas.

Essa desvantagem faz com que as empresas do Ocidente busquem recursos para competir igualmente e, para muitos, a solução são os robôs, que fazem com que a produção aumente e a empresa se torne mais eficiente.

Uma pessoa fazia uma quantidade de peças por turno e hoje, com o robô, esse número aumentou. Tem que investir em automação para sobreviver.

Entretanto, muitos associam a automação ao desemprego. Alexandre afirma que a robotização nas indústrias realmente reduz o número de empregos gerados, mas na visão dele, não gera desemprego.

O desemprego é gerado pela ineficiência das empresas, da cidade, do país. Os países mais desenvolvido têm muito mais robôs, têm mais automação, e não têm desemprego. A Alemanha não tem desemprego, analisa.

O aumento na produção, gerado pela implantação dos robôs nas indústrias, segundo ele, é o que vai reduzir o custo do produto e tornar a empresa mais competitiva. “Se o Brasil investir em automação, em eficácia na indústria, e reduzir o custo do produto, vai produzir mais, exportar mais e gerar mais empregos. A automação não é uma ameaça”.


Investimentos mantém a empresa à margem da crise

Alexandre, que desde 2012 é o diretor superintendente da ZM, administra a empresa ao lado do irmão, Jonathan Zen, diretor financeiro, e do pai, Carlos Sérgio Zen, diretor presidente. Ele observa que a solidez da ZM foi construída ao longo dos anos com base no reinvestimento.

Meu pai sempre investiu tudo que ganhava na empresa, temos um grau alto de reinvestimento. Preferimos manter a empresa forte para garantir o nosso futuro e de todo mundo que está aqui por muito tempo.

Isso, segundo ele, foi fundamental para ultrapassar o período de crise que o país enfrenta. Alexandre afirma que em 2015 e 2016, no forte da recessão econômica, a empresa continuou crescendo e conseguiu manter seu quadro de funcionários.

Passamos por essa crise e não demitimos. As pessoas que saíram da ZM, saíram por conta própria. Eventualmente, não preenchemos o quadro, mas demissões não foram feitas.

Aliado a política de reinvestimento, o desenvolvimento de novos produtos e a busca por novas tecnologias também mantiveram a ZM longe das dificuldades econômicas. Alexandre diz que a empresa conseguiu manter um nível de eficácia bom na produção e, com isso, foi possível chegar com um preço interessante no mercado.

Se não tem investimento, boas máquinas e bons funcionários, que são o que fazem a diferença na empresa porque as máquinas não trabalham sozinhas, a empresa entra em crise, diz.

Passamos como uma ilha isolada no oceano. Os funcionários não perceberam essa crise porque a empresa não passou essa imagem. Todos continuam motivados, trabalhando, completa.

Os investimentos na ZM são constantes. A empresa, que conta com três unidades em Brusque, em breve, se concentrará em apenas um local. Está em construção a nova unidade da fábrica que terá 50 mil metros quadrados, na rodovia Ivo Silveira. Metade já está pronta e a mudança está no planejamento para este ano.

A empresa também já está desenvolvendo novos produtos que devem ser lançados no mercado no próximo ano e Alexandre já prevê a geração de novos empregos em Brusque no futuro. “Com uma planta maior, será possível novos investimentos e a consequência disso será novos empregos, a necessidade de mais funcionários”.

Fonte: O Município